É ao menos o quarto caso apurado de morte provocada pelo frio na capital paulista.

A Polícia Civil investiga a morte de um homem em situação de rua encontrado com sinais de hipotermia na Zona Leste de São Paulo.

Segundo testemunhas, ele estava com as mãos e os pés roxos. É ao menos o quarto registrado nas últimas semanas.

Outras investigações
Nesta terça (13), um homem de 62 anos foi resgatado pela Pastoral do Povo da Rua após passar mal de frio.

Questionada, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) disse que o idoso tinha uma vaga fixa no Centro de Acolhida Refúgio I, na Mooca, desde dezembro de 2022.

Na tarde da última segunda-feira (12), ele saiu para ir ao Posto de Saúde da região e não retornou ao serviço.

De acordo com a prefeitura, ele deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca por volta das 10h15 desta terça-feira (13). Passou por atendimento médico, realizou exames laboratoriais e foi medicado. O paciente segue em observação na unidade recebendo cuidados assistenciais.

Em maio, três pessoas morreram com sinais de hipotermia.

Dentre eles, um homem de 42 anos, encontrado no cruzamento da Rua da Consolação com a Alameda Tietê, na Cerqueira César. Ele dormia embaixo de tapumes de uma obra de um prédio na região.

A polícia também já investigava a morte de um outro homem em situação de rua que morreu a 500 metros de um abrigo da prefeitura.

Pessoas em situação de rua reclamam de abrigos
Pessoas em situação de rua, que dependem dos abrigos, reclamam das condições em que são recebidas.

Eles também falaram sobre a dificuldade de conseguir vagas no Centro. Na outra ponta da cidade, na Zona Leste, mais pessoas de situação de rua reclamam das mesmas condições.

“Cheguei lá umas dez horas, estava garoando, falei tem uma vaga para me arrumar e disseram ‘só se for para o encaminhamento. Não dá pra arrumar vaga, não’. Eu fiz o que? Peguei o saco de lixo que estava no lixo, joguei o lixo fora e me cobri com saco de lixo. Não consegui dormir direito”, disse um morador em situação de rua à TV Globo.

“Se é emergencial, todas as noites há leitos vazios que não foram preenchidos e há relatos de pessoas que solicitam o acolhimento e não são acolhidas porque não tem a burocracia. A burocracia é maior que a necessidade da pessoa”, ressaltou o Padre Júlio Lancellotti.

MP investiga prefeitura por omissão
Em 2021, o Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar possíveis omissões da prefeitura de São Paulo sobre as mortes de moradores de rua em noites de baixas temperaturas.

Em abril deste ano, os promotores enviaram questionamentos para a Prefeitura sobre essa situação e deu 10 dias para a resposta, mas até agora a prefeitura não se pronunciou.

 

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