Apesar de já existir uma ação civil pública para a criação de um plano de manejo, até agora nada foi feito. O local precisa de ações práticas e ambientalistas temem que a área se degrade ainda mais.

O Grupo Especial de Proteção do Meio Ambiente (GAEMA) espera desde de 2021 que a prefeitura apresente o plano de manejo que deveria ter sido criado para uma das áreas mais importantes de preservação ambiental de Ribeirão Preto (SP), o Morro do São Bento. Na época, uma ação civil pública foi ajuizada, mas o Ministério Público ainda não recebeu o documento.

Em nota, a prefeitura disse que irá avaliar as condições do local e realizar os serviços de melhorias necessários.

O parque tem mais de 250 mil metros e já havia sido interditado pela justiça em 2017, por causa de vários incêndios de grandes proporções. Na ocasião, o Gaema entendeu que a área corria riscos e não tinha alvará do Corpo de Bombeiros.

Segundo a promotora do Gaema, Claudia Habib, o Morro precisa de ações práticas orientadas por especialistas. “É uma responsabilidade compartilhada que exige que ações sejam adotadas para que a gente preserve esse complexo tão importante para a cidade. É necessário que realmente se tenha todos os cuidados legais, que os edifícios estejam regulares, com toda segurança, por conta da frequência do público,” afirma.

O Morro do São Bento é considerado um parque desde 1995. No local estão localizados o Teatro Municipal, o Teatro de Arena, prédios da administração pública, Santuário das Sete Capelas, a Cava do Bosque e o Bosque Municipal.

Para a bióloga e doutora em ecologia, Olga Kotchetkoff Henriques, por questões naturais a área já corre riscos todos os anos e é preciso cuidar como um todo. “Não basta cuidar só do zoológico. Ele pode ser o lugar mais usado e de maior impacto dentro do parque, mas existe todo restante e a vegetação não está no bosque, ela é vizinha”, salienta.

A bióloga acompanha a evolução do Morro do São Bento há mais de 30 anos e garante que ele é uma das principais áreas verdes da cidade. Além da preservação da biodiversidade, a vegetação tem importância significativa quanto ao clima. “É uma ilha de frescor dentro da cidade, fazendo um efeito contrário ao das ilhas de calor que a urbanização cria”, explica.

História do Morro do São Bento

Há quase 150 anos o parque era uma área particular com Mata Atlântica preservada, na periferia da cidade. Ele era conhecido como Morro do Cipó.

No final dos anos 1800 era usado como ponto de encontro para festas populares. E foi justamente pensando na preservação do meio ambiente, que em 1899 um vereador propôs a compra da área pela prefeitura, que se concretizou um ano depois.

O resultado dessa ação é que agora, mais de 120 anos depois, Ribeirão Preto tem quase que no coração da cidade uma área que abriga uma enorme diversidade de plantas e animais.

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