Lavínia Machado aguardava pelo órgão há dois meses na UTI de um hospital de São Paulo. Cirurgia foi feita nesta terça-feira (30).

A menina de 10 anos que criou uma campanha nas redes sociais sobre a importância da doação de órgãos passou por uma cirurgia de transplante de coração nesta terça-feira (30). Lavínia Machado Cruvinel aguardava pelo órgão há dois meses em um hospital de São Paulo.

Lavínia é de Medeiros, no interior de Minas Gerais, e foi diagnosticada com miocardiopatia hipertrófica com seis meses de vida. A doença é rara e provoca um aumento no músculo cardíaco, dificultando o fluxo sanguíneo.

Em março deste ano, após enfrentar episódios de desmaios e de progressão da doença, a menina foi internada na UTI de um hospital de São Paulo, entrando na fila de espera por um novo coração.

A família de Lavínia, que sempre participou de campanhas por doação de órgãos, iniciou uma corrente para a conscientização sobre o tema. A menina também foi para as redes sociais, onde começou a compartilhar o dia a dia no hospital e a falar sobre a importância de se declarar doador.

Nesta terça, Lavínia recebeu a notícia que tanto aguardava: um coração para que ela fosse transplantada tinha chegado. Antes de entrar na sala de cirurgia, ela compartilhou um vídeo nas redes sociais.

“Hoje, eu recebi o presente mais especial da minha vida todinha: uma família disse ‘sim’ para a doação de órgãos”.
“Meu coração está chegando, e junto dele vem muito amor. Vem muito amor de uma família que agora chora porque perdeu alguém muito querido. Fica aqui a minha gratidão eterna por terem dito ‘sim’ pela minha vida”, continuou.

A cirurgia durou cerca de quatro horas. A mãe de Lavínia, Michelle Machado, disse que a previsão é que a menina continue internada por mais 30 dias.

“A recuperação é um dia de cada vez, o corpo precisa se adaptar a um coração lindo e forte, com as medicações sendo ajustadas dia após dia”, afirmou.

“Estou em lágrimas de tanta gratidão a Deus por ter preparado tudo no melhor momento e gratidão eterna a todas as famílias doadoras, que salvam vidas.”

Luta pela vida
Lavínia precisou fazer uma cirurgia aos 3 anos para colocar um marcapasso, que agora foi retirado com o transplante.

Em 2018, aos 5 anos, a garota foi a representante de Medeiros na campanha “O Brasil Que Eu Quero”, feita pela TV Globo antes das eleições. O vídeo dela passou no Jornal Nacional, e a menina falou sobre a importância da doação. À época, ela ainda não precisava de um transplante.

“O Brasil que eu quero para o futuro é que você olhe para o lado, tenha mais amor no seu coração e avise a sua família: ‘Sou doador de órgãos'”, disse.

Lavínia voltou para a frente das câmeras neste ano para falar sobre o tema. Mesmo internada, ela gravou uma série de vídeos sobre a importância de se declarar como doador.

A rede social de Lavínia também traz histórias de famílias de pessoas que já salvaram vidas por meio da doação de órgãos.

“Tem pessoas que acham que a gente torce para alguém morrer para salvar minha filha. Não torcemos. A gente torce para que quem já morreu ou para que a família dessa pessoa tenha um ato de amor e salve a vida do próximo”, disse a mãe da garota.

Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgados em março, apontam que mais de 55 mil pessoas aguardam na lista de espera por um transplante no Brasil. Deste total, 1.067 são crianças, sendo que 59 esperavam por um coração, assim como Lavínia.

Para ser doador, basta avisar a própria família. Em caso de morte cerebral, a família será responsável por comunicar à equipe médica que o paciente é doador, autorizando a retirada dos órgãos.

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