Thamiris Matos, de 35 anos, descobriu a fibrose há mais de 10 anos e hoje tem a possibilidade de um tratamento melhor, mas o medicamento custa R$ 132 mil. Projeto criado pelo professor conseguiu arrecadar mais de R$5 mil.

Um professor de uma academia criou um projeto solidário para ajudar a vaquinha de uma mulher com fibrose cística em Itatiba (SP). Thamiris Matos tem 35 anos já tem uma arrecadação online, que foi criada pela amiga no começo do ano.

Todos os recursos obtidos com o projeto serão destinados a compra de um remédio essencial para o tratamento, que custa em média R$ 132 mil.

Ao g1, Mido Saraceni contou que gosta de ajudar as pessoas e tinha conversado com a esposa sobre abençoar a vida de alguém. No dia seguinte, ele e a família foram à igreja e ficaram sabendo da vaquinha da Thamiris.

Thamiris luta contra os sintomas da doença genética crônica há mais de 10 anos que afeta, principalmente, os pulmões, pâncreas e o sistema digestivo.

“Fui atrás da Thamiris e falei que queria fazer um aulão, ajudar de alguma forma. Eu disse que 100% do valor arrecadado vai ser destinado para ela.”
Ele ainda conta que conversou a equipe da academia, comentou sobre como funcionaria o evento e teve adesão de quase todos os funcionários. Em um vídeo postado nas redes sociais, Mido explica como funcionaria o evento solidário.

Toda a equipe da academia e professores convidados estiveram no aulão, que foi realizado no dia 30 de abril, das 8h às 11h. Para os que participaram das aulas, o custo era de R$ 30 e o passe vip, que dava direito a uma camiseta, garrafinha de água e barrinha de proteína, custava R$ 79.

De acordo com Mido, nove professores e 120 alunos participaram do projeto, que arrecadou R$ 5,1 mil. Para Thamiris, o gesto teve um significado enorme.

“Minha vida tem sido sempre hospital, casa e por conta dessa agitação, de todos ajudando, colaborando, eu decidi fazer uma surpresa e ir lá. Me senti abraçada por eles e assim foi um dia incrível. A medicação é importante, mas estar com eles, ver essa mobilização, ver toda essa galera me ajudando, se esforçando, dando o seu melhor, isso valeu muito a pena. Eu pude conhecer o Mido e a família e tinha muitos amigos da época de escola, minhas amigas, minha família, teve muita gente que contribuiu”, conta Thamiris.
De acordo com ela, a questão judicial do tratamento continua em trâmite e que o juiz pediu alguns relatórios, mas afirma que conseguiu a liminar.

“Dei início a medicação em março. Tem feito muita diferença, aos poucos eu estou começando a caminhar, estou mais disposta e o pessoal falou que até minha voz está diferente. A gente percebe que que está tendo uma melhora. Depois que eu comecei a tomar, eu tenho fome assim toda hora, eu estou comendo. Então essa medicação está fazendo muita diferença, estou começando a sair um pouquinho mais, ir no quintal para tomar um sol”, conta.

Arrecadação
Até o momento, a campanha já chegou a R$ 59 mil, o suficiente para comprar duas caixas da medicação. Mas, a busca por recursos continua. Atualmente, Thamiris tem por volta R$ 14,7 mil e precisa de quase R$ 8 mil para a próxima caixa.

“A medicação em média fica R$ 22 mil, por conta do dólar, varia muito. E este valor já está incluso a logística. O total falta R$ 50 mil, até sair a decisão judicial. Já estou tomando a última caixa e por orientação médica, comecei a tomar em dias alternados. O que tenho aqui daria para um mês.”

Além da vaquinha, que ainda está ativa, a mulher está em busca de novas formas de recursos. “Eu, minha família e amigos estamos vendo de fazer outros eventos para arrecadar dinheiro para a compra do medicamento”, conta.

Ao g1, Thamiris contou que descobriu a doença com 21 anos, mas que hoje é possível ter o diagnóstico mais cedo, já no teste do pezinho, feito em bebês recém-nascidos.

“Por ter descoberto muito tarde, infelizmente tive muitas sequelas da doença. Desde pequena tive muita tosse e era internada bastante com pneumonia e outros problemas intestinais, pois a fibrose é uma doença que compromete o pulmão, pâncreas na absorção dos nutrientes e intestino. Ela faz com que as secreções do meu organismo fiquem mais espessas, causando essas infecções”, explica.

Desde que descobriu a doença, a jovem faz uso de muitas medicações. O tratamento é realizado no hospital da Unicamp, em Campinas (SP). No ano de 2018, Thamiris passou por um momento bem delicado e precisou fazer uma cirurgia de emergência, sendo intubada devido ao agravo do caso.

“Graças a Deus consegui sair do tubo e fui me recuperando, só que fiquei com algumas sequelas, saí muito debilitada, perdi muito peso, por isso que uso uma sonda nasogástrica e também precisei colocar uma bolsa de colostomia”, conta.

Em 2019, a jovem começou a usar oxigênio quando fazia alguma atividade e também para dormir. No ano seguinte, foi ao Incor, em São Paulo (SP), para fazer uma avaliação de um possível transplante pulmonar. Mas, por conta de outras comorbidades, o transplante não foi indicado para ela.

Os anos foram passando sem que Thamiris apresentasse melhoras. Em 2021, foram sete internações e várias situações delicadas.

“Foi nesse ano que os médicos conversaram comigo e com a minha família sobre a doença estar evoluindo e a necessidade de redobrar os cuidados. Também comecei a usar o oxigênio 24 horas. No ano passado, internei poucas vezes, mas foram internações longas. Em uma delas, eu tive três pneumotórax espontâneos seguidos e precisei fazer um procedimento chamado pleurodese”, relata.

A esperança de Thamiris surgiu após a indicação de uma nova medicação que pode ajudá-la nessa jornada. Segundo ela, esta é a única opção que pode dar uma estacionada na doença, fazendo com que ela não avance. Vários pacientes que fazem uso do medicamento já estão conseguindo ter uma vida melhor.

“Os médicos já receitaram, porém, está além do orçamento familiar, por isso peço a ajuda de todos. Custa em média R$ 22 mil cada caixa, que dá para um mês. Para iniciar o tratamento, preciso de pelo menos seis caixas garantidas, que dá um valor de R$ 132 mil. Só desejo uma expectativa de vida melhor. Sei que Deus está cuidando de tudo”, completa.

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