Levantamento do g1 aponta que voos entre Congonhas (SP) e Santos Dumont (Rio), assim como no trecho contrário, tiveram queda de 27% no movimento em 2022, em relação ao período pré-pandemia (2019). Já os ônibus intermunicipais que interligam as duas capitais registraram 27% mais passageiros no mesmo período.

Acostumado a levar cerca de uma hora na ponte aérea entre o Rio de Janeiro e São Paulo, o estudante João Vitor Câmara, de 25 anos, resolveu em 2021 — pela primeira vez — encarar seis horas de ônibus no mesmo trajeto. A mudança de hábitos se deu depois que o preço da passagem começou a pesar mais no bolso.

Levantamento feito pelo g1 com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aponta que os preços das passagens entre os aeroportos de Santos Dumont (Rio) e Congonhas (SP), assim como o do trecho inverso, são os maiores desde 2012.

O bilhete médio entre Santos Dumont e Congonhas aumentou 40% de 2019, o último ano antes da pandemia, para 2022: de R$ 405 para R$ 569. No trecho inverso, entre o aeroporto paulistano e o do Rio, o valor subiu 37% no mesmo período: de R$ 403 para R$ 553.

A ponte aérea Congonhas-Santos Dumont-Congonhas é a rota mais movimentada do Brasil em número de passageiros.

“Eu nunca tinha ido de ônibus do Rio pra São Paulo. Antes, a diferença era de R$ 100 do ônibus pro avião. Mas passagens [de avião] agora estão num preço bizarro, algo como R$ 800, que era o que eu pagava antes pra ir pra Fortaleza”, diz João Vitor.

“Eu nunca tinha ido de ônibus do Rio pra São Paulo. Antes, a diferença era de R$ 100 do ônibus pro avião. Mas passagens [de avião] agora estão num preço bizarro, algo como R$ 800, que era o que eu pagava antes pra ir pra Fortaleza”, diz João Vitor.

Dados da Anac e da Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) apontam que João Vitor não foi o único a trocar o aeroporto pela rodoviária.

Enquanto os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont ainda tentam retomar a movimentação de antes da pandemia na ponte aérea, empresas que operam as viagens de ônibus interestaduais entre as duas capitais tiveram aumento de 27% no movimento.

Dois milhões de passageiros fizeram os trechos Rio-SP e SP-Rio em 2022, contra 1,6 milhão no ano de 2019. O crescimento no trajeto destoa da tendência nacional no setor rodoviário, que registrou 7% menos passageiros em 2022 (37,8 milhões) na comparação com 2019 (40,7 milhões).

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