Governo de Santa Catarina informou que criança está em uma casa de acolhimento na Grande Florianópolis até a Justiça decidir sobre a guarda dele.

O menino de 2 anos que desapareceu no final de abril em Santa Catarina e foi encontrado em São Paulo após uma semana, vai ficar em um abrigo da Grande Florianópolis até a Justiça decidir sobre a guarda dele. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que não há prazo para a decisão.

A criança foi entregue, na segunda-feira (15), a uma casa de acolhimento em São José, mesma cidade em que ela morava com a família antes de sumir. A informação foi divulgada pelo governo do Estado.

Segundo o Tribunal de Justiça, uma equipe técnica é destinada para verificar se há alguém da família biológica para ficar com a guarda ou mesmo adoção dele.

Os avós do menino demonstraram interesse na guarda e já a haviam solicitado à Justiça.

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Os interessados devem passar por uma avaliação psicossocial, para verificar se têm condições de ficar com a criança. Se os familiares forem aprovados, a criança sai do abrigo.

Se isso não acontecer, o menino segue na casa de acolhimento enquanto o juízo faz uma busca a novos pretendentes à adoção, sendo respeitada a fila de cadastro.

Entenda
A mãe dele, uma jovem de 22 anos, foi quem o entregou para os suspeitos. Ela “tem uma fragilidade emocional e psicológica muito grande”, segundo a delegada da Polícia Civil de Santa Catarina, Sandra Mara. A mulher, segundo a polícia, foi aliciada por um dos presos para uma adoção ilegal.

Marcelo Valverde é apontado pela investigação como intermediador da entrega da criança a Roberta Porfírio (veja o que dizem as defesas abaixo). Os dois foram presos em flagrante por tráfico de pessoas. Mais duas pessoas são investigadas.

O inquérito que apura a atuação do grupo tem prazo de 30 dias para a conclusão, a contar do registro da ocorrência, segundo o governo do Estado. Há possibilidade de prorrogação da investigação.

Mãe fala pela primeira vez

Uma semana após o encontro da criança, a mãe do menino, que entregou o filho ao casal, falou ao Fantástico, no domingo (14). Mãe solo, ela preferiu não ser identificada.

Ela diz que, durante a gravidez, em 2020, participou de um grupo numa rede social, de apoio a mães. E foi quando passou a trocar mensagens com Marcelo Valverde Valezi, de São Paulo, preso com a criança.

“Ele contou a história dele, que ele é ‘tentante’ junto com a mulher dele, já tiveram diversos abortos”, relata a mãe. E as propostas, segundo ela, começaram: “Ele falava muito que se eu botasse uma criança no mundo para sofrer, aquilo ia me gerar carma, gerar carma na criança, então ele foi usando tudo o que ele podia”.

O bebê nasceu em abril de 2021. No mês passado, três anos depois dos primeiros contatos, ela e Marcelo voltaram a se falar com mais frequência.

O que diz a defesa de Roberta
Fernanda Salvador, advogada da investigada, nega que tenha havido o crime de tráfico de pessoas e que o bebê estivesse desaparecido, já que a mãe teria entregue a criança a Roberta junto com os documentos, em Santa Catarina. Marcelo não teria viajado até o outro estado, mas intermediado a conversa entre as duas partes.

Segundo a advogada, a mãe teria dito que estava em “cenário de vulnerabilidade, em ambiente tóxico”, quando conversou com o casal de São Paulo.

A retirada do garoto de Santa Catarina foi feita por Roberta e com o carro pessoal. As placas do veículo teriam sido adulteradas na saída do estado, segundo a polícia. A defesa dela, no entanto, afirmou desconhecer a informação.

No fim de semana, Roberta e o marido decidiram procurar a advogada, que disse ter orientado os dois a procurar o Fórum do Tatuapé e entregar o menino. O caso já estava repercutindo em todo o país.

Marcelo acompanhou Roberta até o fórum. Os dois estavam com o bebê dentro de um carro, na Zona Leste da capital, na segunda (8), quando foram abordados pela PM e detidos em flagrante por suspeita de tráfico de pessoas.

Cronologia do desaparecimento
30 de abril: menino foi visto pela última vez com a mãe pela avó materna, na Grande Florianópolis;
1ª de maio: avó do menino perguntou à filha sobre o menino. Mulher disse que a criança estava na casa de uma amiga;
2 de maio: mãe do menino foi hospitalizada desacordada;
3 de maio: avó entrou em contato com amiga da mãe do menino, que informou que não estava com ele. Ela teria indicado que a criança poderia estar com o suposto pai da criança; Na família do suposto genitor ele não foi encontrado pela avó;
4 de maio: avó procurou a Polícia Civil.

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