Tuneladora batizada de “Cora Coralina” foi importada da China e será utilizada nas obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô. Transporte das cerca de 70 peças para a Zona Leste da capital deve durar de 30 dias até três meses.

O Metrô de São Paulo contará com a maior tuneladora já utilizada na América do Sul para avançar nas obras de expansão da Linha 2-Verde do transporte sobre trilhos.

Batizado de “Cora Coralina”, o tatuzão será transportado desmontado do Porto de Santos para a Zona Leste da capital paulista.

O processo, que deve ter início na próxima semana, está previsto para durar cerca de um mês e impactar no trânsito da Rodovia dos Imigrantes, do Rodoanel (trechos Sul e Leste) e de vias importantes da cidade de São Paulo, como as avenidas Oscar Niemeyer, Sapopemba, Ragueb Chohfi e Aricanduva, conforme o itinerário inicial aprovado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

“A gente já fez a roteirização desse transporte, já vimos todos os pontos críticos, onde tem uma rua mais estreita, onde mesmo à noite o transito é mais intenso. Então, tudo isso é mapeado e a gente vai tentar diminuir o impacto para a população”, afirma Breno Augusto de Oliveira, diretor de operações da Comexport, empresa responsável pela importação e logística de entrega do tatuzão.

A empresa estima que deverão ser transportadas de seis a 12 peças por semana até o canteiro de obras Complexo Rapadura, na Vila Formosa, para que o cronograma estipulado seja cumprido.

Contudo, os prazos podem sofrer alterações devido a fatores externos, como chuva e neblina, que dificultam o deslocamento das chamadas “cargas superdimensionadas” pela serra.

O Metrô de SP tem uma visão menos otimista do processo, e afirma que o transporte das quase 70 peças pode levar até três meses para ser concluído.

Segundo a EcoVias, concessionária que administra a Imigrantes, há protocolos padrões adotados para o transporte desse tipo de carga: a pista utilizada será a Norte e haverá bloqueio do trecho de serra (km 40 ao 55) no sentido capital, das 23h30 às 5h, já que pode ser necessário utilizar mais de uma faixa da via no deslocamento. Esses trabalhos geralmente acontecem de segunda a quinta-feira e, eventualmente, aos sábados.

A CET explica que cargas muito volumosas são transportadas em horários de baixo fluxo de veículos na capital – geralmente de madrugada – com acompanhamento de uma equipe operacional especializada para auxiliar em questões, como tráfego na contramão.

Em ambos os casos, tanto na estrada quanto nas vias da capital, o agendamento com antecedência é necessário para que as empresas responsáveis pelo tráfego nos trechos possam se organizar e acompanhar o trajeto, evitando impactos em estruturas como viadutos, semáforos, passarelas e placas.

Cora Coralina
A tuneladora Cora Coralina chegou ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo, na última segunda-feira (8), cerca de um mês após deixar o Porto de Taicang, localizado no leste da China.

“Veio de fretado”, brinca Oliveira. Segundo ele, as peças da máquina ocupam um grande volume, em torno de 7 mil metros cúbicos, o que teria levado o navio a vir diretamente ao Brasil, sem realizar escalas em outros portos para coletar mais mercadoria.

Segundo Oliveira, o nome Cora Coralina foi escolhido pelo Metrô em conjunto com o consórcio, seguindo uma tradição mundial de batizar tuneladoras.

Montado, o tatuzão pesa 2,7 mil toneladas e tem capacidade para perfurar numa profundidade de até 41 metros. Ele deverá escavar 7,5 km de comprimento, realizando a primeira fase da expansão da Linha 2-Verde, com a ligação da Vila Prudente à Penha.

Seus 11,66 m de diâmetro o tornam mais espesso do que a tuneladora Maria Leopoldina, utilizada pelo consórcio Acciona nas obras da Linha 6-Laranja até o acidente na Marginal Tietê, em fevereiro de 2022.

O diretor de operação da Comexport diz que a empresa está há três anos dialogando com o consórcio responsável pela expansão da linha verde sobre a importação da máquina para perfuração do túnel. Nesse período, mudaram algumas vezes a tuneladora escolhida, até que ficou definida a da empresa China Railway Engineering Equipment Group (CREG), dando início, há cerca de nove meses, às negociações que resultaram no desembarque no litoral paulista.

O Metrô de SP garante que o equipamento é seguro e afirma que a companhia realiza um processo contínuo de monitoramento das condições de solo no entorno do trajeto onde será perfurado o túnel para a passagem de trens.

Questionado sobre os possíveis riscos causados pela trepidação às moradias das áreas de expansão da Linha 2-Verde, o Metrô disse que “o tamanho da roda de corte não está associado a qualquer tipo de danos já registrados em outras obras do tipo [perfuração de túneis]” e afirmou que “o uso de tuneladoras para esse tipo de obra é seguro e amparado em estudos preliminares das condições geológicas das regiões, bem como das redes de utilidade pública [água e esgoto, por exemplo]”.

 

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