Mulheres comemoraram decisão com cartazes espalhados pelo prédio da Faculdade de Educação da universidade com frases como ‘Não vamos nos calar’.

Um analista de sistemas acusado de importunação sexual foi exonerado do cargo na Universidade de São Paulo (USP) em março deste ano após ter sido preso em flagrante por apalpar uma estudante no transporte público em junho de 2022. O episódio encorajou mais mulheres, que denunciaram outros casos de assédio pelo mesmo homem.

O g1 apurou que Fernando Farias foi solto cerca de um mês depois de ter sido preso no ano passado, quando foi flagrado apalpando a nádega de uma aluna dentro de um ônibus na Cidade Universitária, no Butantã, Zona Oeste da capital.

Em depoimento à Polícia Civil, a vítima, que estava indo para a aula, afirmou que o homem estava atrás dela no interior do ônibus lotado e a apalpou várias vezes durante o trajeto;
Ao perceber que outra mulher viu a situação, começou a gritar com o homem;
Outros passageiros intervieram para conter o assediador, parar o transporte e aguardar a chegada dos policiais, que foram acionados;
O acusado admitiu que poderia ter esbarrado nas nádegas da aluna e que carregava uma bolsa, mas não negou veementemente a acusação;
A vítima disse que, ao se incomodar com os supostos toques, virou para ver o que acontecia e constatou que era a mão do homem no seu corpo e que a bolsa dele estava no chão;
Uma testemunha afirmou ter presenciado o momento em que Farias começou a apalpar a jovem, que tentou se desviar da mão do agressor, mas não conseguiu.
O homem foi preso e levado ao 93º Distrito Policial de Jaguaré, na Zona Oeste da capital, segundo a Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

A prisão em flagrante de Fernando Farias foi convertida em preventiva. No entanto, cerca de um mês depois, foi liberado e voltou a circular pela universidade, onde trabalhava até ser exonerado.
Questionada pelo g1, a USP afirmou que o processo é sigiloso e que não poderia “fornecer dados mais detalhados sobre o assunto”.

25 novas denúncias
Após o ocorrido, segundo apuração da “Folha de S.Paulo”, um grupo de 14 funcionárias da USP se reuniu para denunciar Farias. Elas reuniram um histórico de 25 episódios de importunação sexual que teriam sido cometidos entre 2008 e 2022.

A maioria das mulheres diz que ele tocou seus seios enquanto as cumprimentava ou ao se aproximar da mesa de trabalho.

A “Folha” afirma que as denúncias foram colhidas por meio de um formulário e encaminhadas à direção da Faculdade de Educação da USP (Feusp) para serem acrescentadas ao processo administrativo no caso do flagrante no transporte público, mas o dossiê não foi incorporado ao caso.

As funcionárias também criaram um núcleo para escutar e acolher vítimas de importunação ou assédio sexual. Após a exoneração do funcionário, o grupo espalhou cartazes pela Feusp com frases como “Não vamos nos calar”.

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